Uma semana após a última apresentação
de A Bofetada, no Teatro Nacional de Brasília,
em agosto de 1994, os “patifes” deram início
aos trabalhos para a terceira montagem de seu repertório
com uma inovação: pesquisar a comédia
musical. O novo texto a ser encenado, Noviças
Rebeldes (Nunsense), do americano Dan
Goggin, chegou aos atores Moacir e Lelo
através de outro colega de cena, o ator paulista Wilson
de Santos, que havia assistido à primeira montagem
em São Paulo com um elenco feminino de estrelas da TV sob
direção de Wolf Maya (Senhora
do Destino, Hilda Furacão etc.), detentor dos direitos
autorais do texto no Brasil.
O
diretor de musicais famosos e de novelas da TV Globo, que já
conhecia o trabalho da Companhia em A Bofetada,
decidiu dirigir a Noviças Rebeldes dos
“patifes” com as seguintes condições:
a de que os atores se preparassem tecnicamente para a empreitada
e que a produção estivesse à altura de um
musical da Broadway. Após cinco meses de preparo entre
aulas de canto, sapateado, balé clássico e ensaios,
através do primeiro patrocínio (Telebahia/Lei Alfaya)
da Cia., o espetáculo estreou em janeiro de 1995, apresentando
dois novos “patifes”, os atores Diogo
Lopes Filho e Beto Mettig.
Noviças
Rebeldes, que já teve mais de 5 mil montagens
em 53 países e foi traduzida para 26 idiomas, ganhou, com
a Cia. Baiana, a primeira versão com elenco
totalmente masculino, viajando em turnê, entre 1995 e 1998,
por quase 30 cidades do país. Em 1997, a Cia. Baiana
apresentou Noviças Rebeldes, por duas
semanas, no circuito off Broadway em Nova York, a convite do autor,
tendo recebido comentários no The New York Times e revistas
especializadas.
Para celebrar os dez anos do espetáculo, uma nova montagem
estreou em julho de 2005 reunindo em seu elenco os antigos “patifes”:
Lelo Filho (irmã Amnésia), Beto
Mettig (irmã Léo) e Wilson de Santos
(irmã Maria José, que depois viria a ser vivida
pelo ator Nilson Rocha) a dois talentos do teatro
baiano, o ator Luiz Pepeu (irmã Frida) e Fernanda
Paquelet (Madre superiora), primeira atriz a compor uma
comédia da Cia. Baiana de Patifaria.
Noviças Rebeldes conta a estória
de cinco freirinhas que saíram da Irmandade de Salue Marie
para jogar bingo com as irmãs de um outro convento.
As 52 freiras que ficaram morreram, vítimas de botulismo,
ao tomar uma sopa feita pela cozinheira da Irmandade com legumes
enlatados vencidos. Ao retornar, as cinco sobreviventes descobrem
que o caixa da Irmandade foi desfalcado com a compra de um DVD
pela Madre Superiora e que só dispõem de recursos
para o funeral de 48 delas, deixando as quatro restantes num freezer
até que consigam arrecadar dinheiro através de um
show beneficente para enterrá-las. Após inúmeros
imprevistos e improvisos, realizam um espetáculo repleto
de diversão e belo visual com coreografias que vão
do balé clássico ao sapateado e ritmos que misturam
baião, chorinho, carnaval, música sertaneja e citações
a Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Timbalada e Carmem Miranda.